13 dezembro 2016

29 junho 2016

5 MINUTOS

a chamo para o café
da cama ela sussurra:
- cinco minutos mais...
sorrio com o canto da boca
e a miro como quem
esperaria por toda a vida.

20 março 2016

VENTO

e tua mão
feito chama
toca meu peito.
sem armadura
eu viro cinza
que o vento leva.

23 janeiro 2016

MEU CORAÇÃO É UM PACOTE ESQUECIDO DE MIÚDOS

Oi. Fazia tempo que não eu escrevia e pensei em ti. Aproveitei que acabaram os dados móveis do meu celular e consegui desgrudar dessa desgraça por um momento. Antes de largá-lo em um canto me dei conta de que ainda tenho fotos tuas no arquivo. Não as toquei. As deixei guardadas como quem deixa um casaco no fundo do armário na esperança de um dia ainda usá-lo para se aquecer em noites frias.

Ontem a chuva mais uma vez veio forte e alagou a Cidade Baixa. Como você deve imaginar, o Arroio Dilúvio fez a festa e era quase impossível conseguir um táxi. E eu pensei em ti. Lembrei do teu riso de descendente de italiana que acordava a vizinhança já tarde da noite e, então, meu coração sentiu-se pequeno e esquecido como um pacote de miúdos no fundo do congelador. Acendi um cigarro e o fumei como quando tínhamos as tardes livres de sol com chimarrão no parque e você fazia questão de ler o horóscopo em voz alta só para me irritar. Mas chove e eu apenas torço pela volta da internet, pois já que perdi a esperança da tua chegada.

06 setembro 2015

DESPEDIDA

não, meu amor,
nunca me acostumo
com as despedidas.
sempre deixo partir
um pedaço
bonito de mim.

18 maio 2015

BOM DIA

Ela reclama de meu silêncio enquanto mastigo suas palavras no café da manhã. Mato a fome devagarinho, como quem não tem pressa em terminar de ler o jornal. Seus olhos castanhos, grandes, me enquadram diante de minha expressão quieta.

- Me passa o açúcar, por favor - peço.
- Só se você adoçar essa cara amassada - me retruca imediatamente enquanto mantém o pote suspenso no ar com sua mão esquerda e tenta me tirar um sorriso.
- Não é questão de humor. Nem bom, nem ruim. Só não gosto de ficar conversando logo cedo - a respondo enquanto preparo minha bebida.
- Tá, sei... - murmura.
- Ok, então. Se você sabe, estamos ok - afirmo, cínico, tentando terminar o assunto.
- Ei, fui irônica - diz ela num princípio de fúria e dessa vez com expressão cerrada.

Levanto meus olhos e a miro. Ela move os dela para outra direção bem distante de mim. Me ignora.
Eu, enfim, rio. Me delicio.

- Besta - me xinga enquanto usa o dedo para trocar de lugar os farelos de pão sobre a mesa.
- Bom dia, meu bem! - digo enquanto levanto e beijo sua testa.

E iniciamos, enfim, o dia.

16 maio 2015

VÁCUO

o problema
é que eu
já sinto
a falta
das terças
ociosas
que não
passei
ao teu
lado.