Levantei da cama na ponta dos pés e vesti-me com destreza, sem cometer movimentos bruscos. Levei meu all star branco pela mão e fechei vagarosamente a porta do quarto, evitando o menor ruído possível. Pensei ter saído sem acordá-la, enquanto ela lamentava a falta de meus braços.
06 novembro 2011
20 outubro 2011
INSTANTE RETRÔ
Gostava de mascar chiclete com sabor de melancia. Confesso que nunca entendi a estranha preferência. Certa vez me disse que daquele modo sentia menos o gosto de cigarro de minha boca. Já eu sentia cada vez menos o gosto do beijo dela. Um dia até a prometi parar de fumar. Ela desapareceu de minha vida antes que isso acontecesse.
- Boa tarde! O que é para você, rapaz?
- Quero um chiclete. Pode ser aquele ali...
- Este de limão?
- Não. O de embalagem vermelha e verde.
- Ah, sim, o de melancia...
- É...
- Custa R$ 1,00. Cigarros também?
- Não, grato.
- De nada.
- De nada.
- Até mais.
05 outubro 2011
TARDE QUENTE DE INVERNO
Tarde quente de inverno,
Café gelado para matar minha sede.
Ah, que falta ela me faz!
O que faria eu agora a seu lado?
A distância do tempo impede que minha mente conceba algo...
Café gelado para matar minha sede.
Ah, que falta ela me faz!
O que faria eu agora a seu lado?
A distância do tempo impede que minha mente conceba algo...
O relógio marcava 11h38. Fazia calor naquela manhã de inverno. Acordei suado e de mau humor. Percebi estar meio cabisbaixo também. Acreditei ser reflexo do final triste do livro que acabei de ler na noite anterior. É uma pessoa triste com vocação para ser alegre*, dizia uma passagem da história. Como me caia bem.
*A trégua – Mario Benedetti
*A trégua – Mario Benedetti
23 setembro 2011
10 setembro 2011
INVERNO DE 68
Dos teus olhos de ressaca
Me ficaram as gratas lembranças
Das tardes em que fomos
Felizes para sempre e
Dos segundos infinitos de calmaria,
Assim como os planos de velhice a dois
Em contos infantis
Com sonhos puramente alcançáveis.
Nas milhares de páginas
Que escrevi depois de acordado
Ficaram as doces marcas
E nelas resolvi não tocar
Para que o calor daquele inverno
Voltasse, às vezes, a aquecer minh'alma.
Me ficaram as gratas lembranças
Das tardes em que fomos
Felizes para sempre e
Dos segundos infinitos de calmaria,
Assim como os planos de velhice a dois
Em contos infantis
Com sonhos puramente alcançáveis.
Nas milhares de páginas
Que escrevi depois de acordado
Ficaram as doces marcas
E nelas resolvi não tocar
Para que o calor daquele inverno
Voltasse, às vezes, a aquecer minh'alma.
18 agosto 2011
DISTANTE
acordei longe
meu espírito
deixou meu corpo distante,
distante...
migrou sem destino
em busca dos sentimentos que perdi.
meu espírito
deixou meu corpo distante,
distante...
migrou sem destino
em busca dos sentimentos que perdi.
06 agosto 2011
NÃO LEVE A MAL, HONEY
Não leve a mal, honey
Mas não preciso mais
Do teu grito
Dos teus mitos
Da tua falta de amor.
Não me deixa saudade
Tua fobia
A falta de alegria
O receio da dor.
Cansei do teu cansaço
Do teu embaraço
Do teu riso sem cor.
Perdi a vontade
Da tua pele
Do teu pêlo
Dos teus apelos.
Perdi a vontade...
De ti.
26 julho 2011
ENQUANTO O SONO NÃO VEM
enquanto o sono não vem,
me concentro em lembranças
que me façam te esquecer.
me concentro em lembranças
que me façam te esquecer.
17 julho 2011
NUMA TARDE DE INVERNO
era como se a nostalgia
me deixasse triste
ao ver sua foto ao chão
depois de cair
de um livro de Galeano
há tempos esquecido na estante.
me deixasse triste
ao ver sua foto ao chão
depois de cair
de um livro de Galeano
há tempos esquecido na estante.
08 julho 2011
PARA QUANDO VOCÊ PARTIR
Quando você for, meu amor, peço que vá por inteiro. Saia de manso, carregue o que é seu e me esqueça de vez. Mas leve tudo. Se precisar, compre novas malas e preencha cada espaço com coisas que não serão mais úteis para mim quando não existir mais nós dois. Carregue os frascos de perfume que lhe dei e os quadros, mesmo que fiquem espaços mais claros na parede por causa do tempo, que também desbotou nosso amor. Não deixe para trás pretextos para voltar, pois não lhe quero mais em meus braços, mesmo que meu corpo implore o contrário. E, ao sair, encoste a porta, porém, não esqueça de deixar antes para mim a sua chave. Preciso de garantias. E fique tranquila, do resto eu tomo conta, juro que tentarei. Seu cheiro irá sumir, os móveis da sala mudarei de lugar, os bilhetes apaixonados guardarei longe dos olhos. E as lembranças que surgem como flashes aos olhos fechados? Bem, essas eu ainda não sei o que farei.
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