e tua mão
feito chama
toca meu peito.
sem armadura
eu viro cinza
que o vento leva.
20 março 2016
23 janeiro 2016
MEU CORAÇÃO É UM PACOTE ESQUECIDO DE MIÚDOS
Oi. Fazia tempo que não eu escrevia, e pensei em ti. Aproveitei que acabaram os dados móveis do meu celular e consegui deixá-lo de lado por um momento. Antes de largá-lo em um canto, me dei conta de que ainda tenho fotos tuas no arquivo. Não as toquei. As deixei guardadas como quem deixa um casaco no fundo do armário e alimenta a esperança de um dia ainda usá-lo para se aquecer em noites frias.
Ontem a chuva mais uma vez veio forte e alagou a Cidade Baixa. Como você deve imaginar, o Arroio Dilúvio fez a festa e era quase impossível conseguir um táxi. E eu pensei em ti. Lembrei do teu riso de descendente de italiana que acordava a vizinhança já tarde da noite, e saudade veio como agulhas que perfuram a ponta dos dedos ao toque mais leve.
Ontem a chuva mais uma vez veio forte e alagou a Cidade Baixa. Como você deve imaginar, o Arroio Dilúvio fez a festa e era quase impossível conseguir um táxi. E eu pensei em ti. Lembrei do teu riso de descendente de italiana que acordava a vizinhança já tarde da noite, e saudade veio como agulhas que perfuram a ponta dos dedos ao toque mais leve.
Meu coração, então, sentiu-se pequeno e esquecido como um pacote de miúdos no fundo do congelador. Acendi um cigarro e o fumei como quando tínhamos as tardes livres de sol com chimarrão no parque e você fazia questão de ler o horóscopo em voz alta só para me irritar. Mas chove, e eu apenas torço pela volta da internet, pois já que perdi a esperança da tua chegada.
26 outubro 2015
06 setembro 2015
DESPEDIDA
não, meu amor,
nunca me acostumo
com as despedidas.
sempre vejo partir
um pedaço
bonito de mim.
nunca me acostumo
com as despedidas.
sempre vejo partir
um pedaço
bonito de mim.
13 junho 2015
27 maio 2015
18 maio 2015
BOM DIA
Ela reclama de meu silêncio enquanto mastigo as suas palavras no café da manhã. Mato a fome devagarinho, como quem não tem pressa em terminar de ler o jornal. Seus olhos castanhos, grandes, me enquadram diante de minha expressão quieta.
- Me passa o açúcar, por favor - peço.
- Só se você adoçar essa cara amassada - me retruca imediatamente enquanto mantém o pote suspenso no ar com sua mão esquerda e tenta me tirar um sorriso.
- Não é questão de humor. Nem bom, nem ruim. Só não gosto de ficar conversando logo cedo - a respondo enquanto preparo minha bebida.
- Tá, sei... - murmura.
- Ok, então. Se você sabe, estamos ok - afirmo, cínico, tentando terminar o assunto.
- Ei, fui irônica - diz ela num princípio de fúria e dessa vez com expressão cerrada.
Levanto meus olhos e a miro. Ela move os dela para uma outra direção bem distante de mim. Me ignora.
Eu, então, rio. Me delicio.
- Besta - me xinga enquanto usa o dedo para trocar de lugar os farelos de pão sobre a mesa.
- Bom dia, meu bem! - digo enquanto levanto e beijo sua testa.
E iniciamos, assim, o dia.
E iniciamos, assim, o dia.
16 maio 2015
13 maio 2015
26 abril 2015
120 SEGUNDOS
você saiu e eu fiquei como
se tivesse perdido
aquele botãozinho para girar
os ponteiros do relógio.
então, me dei conta
de que o tempo
rastejava preguiçoso
com segundos em dobro.
era possível atravessar a rua
bailando, zombando do semáforo
e ainda assistir os carros
contando os centímetros do asfalto.
e era bem mais longo o dia
sem você.
se tivesse perdido
aquele botãozinho para girar
os ponteiros do relógio.
então, me dei conta
de que o tempo
rastejava preguiçoso
com segundos em dobro.
era possível atravessar a rua
bailando, zombando do semáforo
e ainda assistir os carros
contando os centímetros do asfalto.
e era bem mais longo o dia
sem você.
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