24 março 2011

QUANDO O AMOR PASSAR

enquanto espero o amor passar
engaveto cada memória do teu riso
sigo silencioso para fazê-lo calar
em passos lentos, imprecisos.

de mim tento esconder
a falta do teu olhar castanho
e, incerto do que fazer,
caminho, trôpego, em horizonte estranho.

dentro da medida
em noites sem sono
sigo de cabeça erguida

mas quando volto à vida
de outono solitário
ainda carrego o gosto da despedida.

11 março 2011

DAS COISAS QUE DEIXEI

Lembra daquela tarde em que caminhamos sobre a areia fria num dia de inverno? Garoava e você reclamou por causa do teu cabelo. Logo você que não gosta de areia também. Sim, sei, fui eu quem insistiu, e você topou como em tantas outras vezes. E daquela noite em que fomos felizes para sempre com nossas garrafas de vinho tinto, recorda? Nós nunca prestávamos atenção nos filmes que combinávamos ver. Claro, você sabe, não esqueci de nada. Aliás, viro noites em claro pensando em tudo que deixei. E a fuga que planejamos juntos, a casa, o cachorro, os quadros dos Beatles na parede? Bem, está tudo aqui, inclusive a foto do Harrison cantando "I need you" para ti.

24 fevereiro 2011

ILHA DA UTOPIA

... e, por alguns instantes, a vida se resume a uma ilha de lembranças perdida em mar aberto.

29 janeiro 2011

DO ATÉ BREVE

digo adeus de maneira passional
me despeço aos poucos, aos poucos.
levo cada esquina em mente,
meus discos, livros
e as saudades mais bonitas.
carrego ainda um pedaço da tua vida
que hoje é meu, somente meu.

tristeza, não.

levo ainda as tardes de chuva
os pingos na janela
as madrugadas nuas
e uma mala com vários espaços
para preencher.

20 janeiro 2011

JARDIM DE VERÃO

Se quiser
Abra a porta, entre
Este sou eu
As marcas que você conhece
O sorriso que se faz
Ao apreciar teus traços cheios de vida.
Teus olhos me verão
Da maneira que você decidir.
Pode ser em mensagens
Abreviadas pelo tempo
Ou em tua mesa de café
Em manhãs abraçadas de cumplicidade.

27 dezembro 2010

SÓ

sim, baby,
me deixe só.
hoje me basto.
quero apenas
esse cigarro
e as doces
doses de conhaque
que me saciam...

lentamente.

não quero nada
sequer preciso de algo mais.
então, me deixe...

só.

22 dezembro 2010

ÚLTIMA PASSAGEM

Quando estendi a mão não tive mais tempo para alcançá-la. Com os olhos vermelhos, havia partido e levado consigo uma mala cheia de sonhos quebrados, pela metade. Sem me conformar com o adeus, fiquei ali sentado pelo resto da vida esperando seu retorno. A chuva que a acompanhou na viagem nunca mais parou de cair em minha janela.

05 dezembro 2010

NOITE

A lua cheia penetrava pela janela entreaberta do quarto e iluminava seu corpo nu, como se o admirasse. No fim, éramos dois a contemplar.

14 novembro 2010

FIM

E deixamos os segundos
Impedirem nossas vontades
Por termos inventado
A falta de tempo.