25 março 2010

BANCO

Se lhe visse aqui
Sentada a meu lado
De lenço
Nesses cabelos negros

Se pudesse lhe sentir
Nesse frio de maio
Ombro a ombro
E café quente

Juraria desse banco
Não mais levantar.

20 março 2010

EFECTO

Abro os braços e peço licença aos céus. Deixo a chuva acariciar minha face enquanto sigo para qualquer direção que me tire dessa bolha sem ar. Ah! Como é bom sentir o frio que gera esse clima sublime... Meu sorriso, antes taciturno, agora abre o caminho. Sigo, ando, tropeço, continuo. Minha mochila ainda está cheia, mas não pesada como antes. Logo ela, assim como eu, descansará em paz.

19 março 2010

MÚSICA SEM REFRÃO

Eu tentei buscar
Qualquer ajuda
Pra te esquecer, meu bem
Mas não foi fácil
Descolar você de mim
Era mais forte
Do que eu mesmo imaginei.
E mesmo sem pensar
Tudo era feito
Pra te agradar, meu bem.
Mesmo sem vê-la
Sempre estava junto a mim
Em cada verso
Em minha história sem fim.
E a vida assim passou
E minha espera terminou
Sem ter você
E não foi fácil descolar você de mim
Era mais forte do que eu mesmo imaginei
E agora ando assim
Sempre atrasado
E esperando o sol se pôr
Com passos tortos
Sem saber a direção
De braços dados
Com eu mesmo por aí.

22 fevereiro 2010

MERCÚRIO CROMO

E o tempo, meu querido blog, é mercúrio cromo
Assim como já dizia o cantor*
E por isso, meu blog,
Fiel confessionário de minhas variações emocionais
A ti peço um tempo
A ti propicio um tempo
Para que separados,
Mas ainda assim juntos,
Possamos novamente respirar
E para que, talvez um dia,
Lado a lado possamos outra vez navegar.

*Renato Russo - La nuova gioventú

10 dezembro 2009

CINZA

É, baby
Hoje o dia nasceu
E minha tristeza apagou o sol
E o que vejo por detrás das nuvens cinzas
É o novo outra vez.
Mas o novo me cansa
Censura meus planos
Corta meu sorriso.
O tempo, baby, foi grato e infiel
Nos deu uma rasteira.
Abriu o caminho e fechou as portas
Deixou-nos com as malas desarrumadas
Sem abrigo sob essa chuva sem fim.

26 maio 2009

DA MONTANHA MÁGICA

Da montanha mágica formato um mundo em (des)construção
Finjo compaixões e escapo dos sorrisos sem cor
Abraço o tempo fugidio e deslizo em nuvens cinzas.
Da montanha mágica pinto rostos ensolarados
Acariciados pela penumbra da manhã que nasce
Pela chuva fina da calmaria de tardes de inverno.

Na montanha mágica sorrio
Passo por cima do caos
Percorro a circunferência
Da beleza escondida nos olhos baixos.
Na montanha mágica me apaixono
Entrego minha mão ao ser que julgo completo
Repleto de defeitos confortáveis
Que incapacitam minha alma de condenar.


Bendita seja a petulância na qual a riqueza de espírito e alma vale mais do que a estética efêmera e narcisista de indivíduos instantâneos.

18 março 2009

TRAVESSIA

Pego esse trem que corre devagar
E mais devagar vaga minha mente
De sonhos feitos de papel
E amarguras largadas ao vão.
Parto de corpo e espírito
De coração solitário
De sorriso solidário.
Contemplo a beleza do silêncio
Imagino relógios contra o tempo
Em tempos de sol e chuva
E dias de nostalgia sem fim.

17 dezembro 2008

COMO DEVERIA ESTAR

De que é composto o novo
Num labirinto que cheira a pó de estante?
Um fragmento de nostalgia
Uma peça que retrate um amor previamente definido
Com felicidade e utopia?
Qual é a cor do sorriso
Que sem graça reflete o coração vazio?
Laranja como o crepúsculo de fim de dia
Veraz como o azul do céu sem nuvens
Ou gris de tardes alegres imaculadas pela chuva?

O passo não é mais sentenciado pelo ceticismo
Nem mesmo venerado com a fé cega.
O chão responde de maneira firme, dura
Capaz de vibrar, mas não quebrar.
O pó que agora levanta
Esconde as velhas marcas
Do pulsante inábil e sentimento.
O olhar contempla cada movimento
Cada cor reluzida no breve silêncio.

Apertou-me a mão sem compromisso
Não poderia esperar o contrário
Saiu e sequer olhou para o lado.
Deixei-a ir sem pressa
E sem pressa voltei para dentro de mim
Ensaiei um sorriso breve
Mas contentei-me
Com o momento afetuoso de calmaria.

20 novembro 2008

VERSOS DOS 26

Nem sei que cor leva meu rosto hoje
Meu espelho reflete apenas marcas
Um olhar saudoso e hematomas emocionais.
Talvez seja o mesmo rosto de um ano atrás
Ou o rosto que ainda levarei por algum tempo
Mas inconfundivelmente é meu rosto.
Algumas rugas mais tarde o vejo
Atrás de um óculos que mais parece enfeite
E barba rala que insiste em não crescer.
No entanto, mesmo assim me felicitam
Me gracejam por um ano a menos de vida
Em um dia que me soa como os demais.
Deixo o espelho de lado e saio
Evito pensar no que o restante do tempo me reserva
Enquanto espero o ano que vem.

03 novembro 2008

DA BELEZA DA INCERTEZA

Sou incapaz de decifrar seus passos
Ela me intriga, me instiga
Caminha no paralelo entre a razão e a emoção.
Sorri com o laranja que se abre no céu
[Entre nuvens pálidas]
Após um dia alucinógeno de calmaria.
O início do fogo de fim de tarde
Contrasta com seus olhos verdes, prófugos.
Porém, não me entrego ao vício.
Busco diversão em outras peles
Em outras cores, outras gotas de suor.
Pouco adianta.
Abro meus olhos castanhos
E minha retina procura o novo da sua
Quer seguir os movimentos improváveis de seu corpo 

Andar na linha tênue da incerteza
À procura de aventura instável
De leituras clichês em início de madrugada
Com cheiro de café quente
E divagações em silêncio.
Minha mente ferve, viajo, nada encontro.

Lá fora faz uma noite úmida e quente
E o vento que entra pela janela
Ameniza minha febre.
Sento na cama e acendo outro cigarro.
Vejo a cinza deslizar delicadamente pelo ar
Antes de xingar o chão.

Aparecerá novamente esta noite?